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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CONHEÇA JULIANA BERTELLI, ACESSORIUM E MARIA BONITA

Amigos, visitantes, apaixonados por Peruíbe, bem vindos a mais um post!

Eu sei... ando sumida. Colocando algumas coisas em ordem, nesse início de ano mas, assim que tudo voltar à rotina normal, o blog também voltará.

Nossa convidada de hoje é uma pessoa muito especial, que trás em seu DNA a veia de comerciante bem sucedida, realizada, feliz em sua vida pessoal e profissional. Estou falando da Juliana Bertelli: proprietária da Acessorium e da Maria Bonita, mãe de duas lindas filhas e, de 01/01/2017, Primeira-dama da cidade de Peruíbe!

Eu conheço a Ju, como é carinhosamente chamada, há muito tempo, quando eu era jovem e ela, uma pré-adolescente. A vida é muito interessante porque nunquinha imaginei que, um dia, seríamos adultas com nossas vidas próximas, como agora. Aqueles velhos ditos populares "o mundo é pequeno", "o mundo gira e a vida dá voltas", fazem todo sentido. Por isso, plante sementes boas em seu caminho. Tudo gira e volta, de uma forma ou outra, para um ponto já conhecido.

No dia 27/08/2016 fiz uma postagem sobre a Perfu e a Aquarius, duas lojas da Terezinha. Dai você pergunta: "E o "kiko" tem a ver?!" rs Tudo: a Juliana é filha da Terezinha! Ah... e também, irmã da Christiana, do ArteLivre, postagem do dia 23/12/2016. E tem também outra irmã, a Fabiana.


Ao lado, Terezinha e Juliana: tal mãe, tal filha: garra e determinação!


Aqui, um trecho do post da Terezinha: "O Cavalcanti tinha uma farmácia (Drogaria Kaline), aqui em Peruíbe, desde 1984. A Terezinha era professora de Educação Física e a vida corria normal. Porém, em 1992, por complicações do diabetes, o Cavalcanti faleceu. E foi ai que a Terezinha passou de professora para empreendedora. Ela continuou com a farmácia, depois abriu uma perfumaria, loja de acessórios, loja de bolsas e, com o passar dos anos, concentrou seu empreendedorismo no Centro Comercial, que é aquele "shopinho" que fica na esquina da praça principal de Peruíbe, onde tem a Igreja (Av. Padre Anchieta, 1.107, Centro)."





Apesar de eu não ter convivido com a Terezinha e as meninas, pois eu morava longe, sempre que vinha para Peruíbe visitar meus pais, fazia questão de ir ver a Tê. Sua garra para criar sozinha três filhas (12, 14 e 16 anos), após o falecimento do Cavalcanti, era admirável. E ela arregaçou as mangas, trabalhou, as meninas ajudaram e hoje estão ai lindas e realizadas.

E a Ju, digamos, "herdou" essa veia de comerciante da mãe. Ela ajudava a Tê nas lojas e se identificou muito com esse trabalho. Ela já ajudava na farmácia, aos 13 anos (1990/91) quando o Cavalcanti ainda era vivo. Percebeu na Aquarius que gostava da dinâmica do comércio: das 3 filhas, ela era a mais atuante. 

Quando chegou a hora da facul, escolheu fazer administração e, após formada, enfrentou uma seleção brava para trabalhar no HSBC da cidade. Ficou lá 15 dias e quase teve um treco: não era nada daquilo que ela queria. E se perguntou: "o que eu estou fazendo aqui?!" Pegou a bolsa, logo que o banco abriu, já pedindo demissão...rsrsrs Tanto o pessoal do banco, quanto pessoas conhecidas ficaram bobos de ver a coragem dela e, ao mesmo tempo, a grande dúvida: mas ela vai fazer o quê?! E ela, conversando com a mãe e com seu apoio incondicional, foi abrir sua loja!

E ai surgiu a Acessorium, no Center Chic, em 09/07/2002. Em dezembro de 2005, mudou para a Av. Anchieta, 287, onde está até hoje: uma loja super charmosa, com as simpáticas e super eficientes Vanessa e Flávia no atendimento.


Fachada da loja:
Acessorium, loja aconchegante, com peças de super bom gosto e atendimento impecável!!!
Av. Pde. Anchieta, 1028, Centro, Peruíbe


Organização e diversidade:


Olha eu ali, de bermuda vermelha!!! Ops... falha nossa!!! rsrs:


Atendimento com aquele sorriso no rosto!!!:


Mas ainda tinha mais pois a Juliana percebeu que, na época, faltava uma loja que vendesse blusinhas legais para sair, passear e viu ai um nicho de mercado. Em 04/06/2005 abriu a Maria Bonita, no Centro Comercial. Inicialmente, era uma loja pequena mas, com o tempo, foi diversificando as peças, passando a trabalhar com moda feminina e hoje, ocupa 2 lojas integradas, num espaço super confortável e aconchegante, além de extremamente organizado.




Ao lado e abaixo, interior da loja Maria Bonita, onde as Clientes se sentem em casa!


Moda feminina em alto estilo!





Aliás, organização, bom gosto, aconchego e bom atendimento fazem parte do perfil das lojas da mãe e da filha. Além disso, são vizinhas pois uma loja fica ao lado da outra e elas compartilham conhecimento, excelente entrosamento com suas atendentes, a família, enfim... uma parceria muito bonita de se ver.






Aqui, a entrada do "shopinho", com uma loja de cada lado!!!:
Maria Bonita, da Ju e a Perfu, da Tê: mãe e filha lado a lado. 
Av. Pd. Anchieta, 1.107, Centro, Peruíbe

Juliana, a esquerda e a Janaína:
Além da Janaína, tem também a Priscila, na foto abaixo, para dar aquele atendimento para as Clientes. Muitas, inclusive, de cidades como São Paulo, ABC e interior, que têm casa aqui em Peruíbe.


A Juliana gosta demais de suas Clientes. Muitas tornaram-se amigas. Conversar com ela é até difícil pois todos que passam por nós, no corredor do Centro Comercial, a cumprimentam e abrem aquele sorriso. Uma energia muito boa!

Uma coisa muito legal que a Ju falou é que um curso de uns 2 meses, que ela fez no Dimensão, depois que terminou a faculdade, foi o grande "professor teórico" da sua boa administração, apesar da faculdade. Sabemos que ser empreendedor no Brasil é uma tarefa árdua. Exige comprometimento, trabalho sério e muita garra. Parabéns, Ju!

E, para finalizar a história, um pouco de romance no ar...rsrs Ela e o Luíz Maurício se conheceram na faculdade, em Santos, apesar dos 2 residirem em Peruíbe. Isso foi lá pelos idos de 1.997. Namoraram, separaram, voltaram (em 2005) e estão juntos até hoje. Bem resolvidos, tiveram a primeira filha 5 anos depois da união. Hoje, são duas meninas lindas, a Laura, com 6 anos e a Clarinha, com 2. Ele advogado, ela empreendedora, aos poucos construíram uma família sólida e feliz e ele realizou um sonho de criança: ser Prefeito de Peruíbe.

Mas vou falar sobre nosso Prefeito num outro post, prometo! Desejo mesmo que eles sejam sempre felizes, que ambos tenham sucesso nas escolhas que fizeram e sei que Peruíbe tem muita sorte por ter pessoas assim, simples e trabalhadoras.

Todos os cliks foram meus!

Um abraço bem apertado para todos, paz e prosperidade. Namastê!



Sofia Golfetto Silva
Personal Organizer
Consultora em organização
e...apaixonada por Peruíbe!!!


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

OBRIGADA, FELIZ 2017!!!

Amigos, visitantes, turistas, curiosos, sejam bem vindos!!!

Escrevo rapidinho para agradecer pelos 4.800 acessos ao blog, desde sua inauguração, em 06/07 passado. Como já mencionei aqui, para um blog sem propagandas pagas, que fala assuntos sérios e educativos, estou bem orgulhosa do trabalho.

Vamos agradecer? Primeiro, ao meu marido Carlos, pois a idéia do blog foi dele. Depois, todas as pessoas que dedicaram parte de seu tempo em atenção para eu fazer vários posts que aqui estão. Em especial, ao Richard Rasmussen, o escolhido para receber minha homenagem e agradecimento em nome de todos. 

Minha amiga Ana Caldatto (https://anacaldatto.blogspot.com), blogueira experiente, me ensinou: se você vai colocar um blog no ar, tem que se dedicar; não adianta começar e parar, aos poucos. E, apesar de algumas dificuldades no dia a dia, para poder fazer um post por semana, na média, até que me sai bem. Estou feliz comigo e com todos vocês, que me prestigiaram. Gratidão!!!

Eu e a Ana Caldatto, em 04/12/16:

Conheci a Ana Caldatto através de seu blog, pois estava buscando, na internet, um colecionador de Susis, para vender as minhas 28 (eu acho).  Eu queria uma pessoa que cuidasse das minhas Susis como eu e minha mãe cuidamos, ao longo desses 46 anos.  E encontrei: foi ai que a Ana e o Júlio entraram na minha vida, como uma luz. Em 2015 minhas lindas foram morar  com ela e receber seus cuidados e carinho. E, em 04/12/2016 pude rever todas, numa linda exposição que a Ana fez, num evento que ela chamou de SusiCon. Elas estão nessa linda caixa de vidro, emocionante!!!!

Mais uma vez deixo meu muito obrigada à Ana Caldatto. Sem ela, esse blog talvez não estivesse aqui.

Meus desejos de um 2017 com saúde, paz, amor, sucesso, realizações. Na verdade, nada muda: um dia após o outro, o ano acaba, outro começa e os problemas ou soluções de ontem são quase os mesmos de hoje. Mas....o que importa são as nossas expectativas, essa egrégora da virada, com todos pensando e mentalizando coisas boas. Isso é o que conta.

Da mesma forma, dentro de cada um de nós, parece que tudo é realocado, formado como uma nova esperança. E é essa roda da vida: acreditarmos que sempre pode ser melhor.

Dia 30/12, final de tarde, em Peruíbe, Jd. Icaraíba:

Feliz 2017!!!:

Então, vamos nessa que muita coisa boa nos espera.

Um abraço bem apertado em cada um de vocês, quero sempre vê-los aqui!

Paz e prosperidade. Namastê! 



Sofia Golfetto Silva
Personal organizer
Consultora em organização
Insta: @sofiagolfettoorganiza

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

UM POUCO MAIS SOBRE PERO CORREA E O ABAREBEBÊ

Amigos, visitantes, sejam bem vindos!

Passando por aqui, nesse feriado de 12 de outubro, somente para fazer um post-curiosidade! rs

Como eu disse, no final do post sobre a Parte II (1.553-1.959) da História de Peruíbe, foi bem difícil reunir material sobre essa fase. Mas revendo meus arquivos, encontrei um texto do site www.jornaldeperuibe.com.br, muito legal, falando da relação entre o Pero Correia e o Padre Leonardo Nunes, o Abarebebê, que achei interessante reproduzir, em partes, para vocês. Vamos ver?


1. PADRE LEONARDO NUNES, O ABAREBEBÊ:

"Com a chegada dos Jesuítas, em 1.549, iniciou-se a verdadeira vida colonial em Peruíbe. Aqui vieram, além dos portugueses, várias famílias de refugiados  vindos de Veneza. Chegaram, em Santos, três navios dos irmãos Adorno, que tiveram de fugir de lá, quando o pai deles (Doge) foi morto. Os filhos se salvaram, vindos com navios carregados de mercadorias para cá. O padre Leonardo Nunes começou a primeira vila, com várias famílias. Fez a reforma do antigo forte (Marco Possessório), construiu escola e capela mais ampliada. Deu-lhe o nome de Colégio São João Baptista. Lá estudaram filhos de índios, portugueses, italianos e de quem estivesse por perto.

Essa população mista cultivava, pescava e mantinha escasso comércio... Com a chegada de José de Anchieta, em 1.553, o Colégio já abrigava os Missionários, que ampliavam o ensino religioso em Peruíbe e o trabalho de catequese estendeu-se até Iguape e Cananéia."

Como já mencionei na Parte I, o padre Leonardo Nunes era um humanista, querido por todos, prudente, zeloso, valente e que, por estar em todo lugar com agilidade impressionante, foi apelidado pelos índios de "Abarebebê", que significa irmão do vento ou, como ficou conhecido "padre voador".

Em 1.553, ele deixa Peruíbe e vai para o nordeste, em busca de novos missionários que chegavam de Portugal. Nesse mesmo ano, "retorna a São Vicente na companhia de Pero Correa, dono do navio que fazia o percurso de navegação até a Bahia, trazendo o futuro padre Anchieta." Em janeiro de 1.554, Leonardo Nunes e Anchieta sobem a Serra do Mar, deixando o Colégio entregue a missionários. Lá no planalto, iniciaram o primeiro povoado (Vila de Piratininga) e voltam para Peruíbe. No dia 15 de junho de 1.554, Abarebebê volta para o nordeste mas uma forte tempestade faz o navio naufragar em 30 de junho e todos os ocupantes morrem.
                                                                                                    Pde. Leonardo Nunes:




"Assim desapareceu em 30 de junho de 1.554 o Abarebebê de nossos índios, um grande humanista até hoje lembrado. Deixando a semente da civilização pacífica, temos em Peruíbe as ruínas deste colégio fortaleza, que pode ser visitado a qualquer hora, atestando as origens primitivas do Marco Possessório".











Trecho da vida de Abarebebê, retirado do site www.leonardonunes.org.br

"Padre Leonardo Nunes sempre deu mais valor aos bens espirituais do que ao conforto ou bens materiais. Gostava de cantar e tinha boa voz; usava este instrumento para atrair mais perto a sensibilidade indígena.

  Na capela onde rezava a missa, intimou João Ramalho a retirar-se por julga-lo excomungado - incomodava-o o estilo de vida desregrada de João Ramalho, que tinha muitas mulheres (todas índias) e muitos filhos.

  Nessa ocasião, recebeu ameaças dos filhos do povoador. Nesse mesmo ano aconselhou João Ramalho a fundar Santo André da Borda do Campo, antecedendo Nóbrega no conhecimento dos Campos de Piratininga. Alguns historiadores atribuem a Leonardo Nunes a primeira idéia de fundar São Paulo.

  Incansável na catequese, procurou os tamoios e carijós no sertão, restituindo a estes a liberdade negada pelos portugueses. Numa das cartas de Anchieta encontramos: “...porque também a vida do Padre Leonardo Nunes era muito exemplar e convertia mais com obras que com palavras”."



2. PERO CORREA: de "saqueador a convertido":

No post da Parte I (1.494 a 1.553) eu falei do Pero Correa. Ele chegou aqui, junto com Fernão Morais, vindos de Algarve, integrando a comitiva de Martim Afonso de Sousa. Eles vieram atrás de riquezas (ouros, pedras preciosas e tráfego de índios). Ou seja, eram bandeirantes, que desbravavam as matas para conquistar, sejam territórios, sejam riquezas. "Suas expedições naqueles tempos eram famosas, pois eles capturavam índios e os vendiam como escravos. O comércio de escravos e ouro, extraídos das montanhas além da Serra dos Itatins, deu muito lucro; navios isolados aportavam no Guaraú, eram carregados de mercadorias que transportavam para a Europa. Foram os mais ricos daquele tempo, suas fortunas eram enormes, mas muito odiado pelos índios, que várias vezes, tentaram matá-los...Pero Correa e sesu companheiros vivam em busca de índios, atravessaram as matas e foram obstáculos a toda e qualquer paz entre as mutias tribos indígenas (Carijós, Caiumas, Tapanhumas, Misomonius, Guayanases, Tamois, Tupi Guaranis). Por sua culpa, os índios vivam em guerra constante."


3. NUNES & PERO:

O pacificador Leonardo Nunes fez de tudo para tentar trazer Pero Correa para a Igreja, fazendo-o ver o estrago que ele causava ao trabalho de catequização dos índios e paz entre os habitantes da região. Mas não conseguia. Até que, em 1.553, dizem que ocorreu uma aparição de Nossa Senhora nas matas do Guaraú, durante uma de suas caçadas aos índios. Desse dia em diante, Pero se converteu, depôs as armas e "começou a colaborar pacificamente com os missionários catequistas, ajudando-os a divulgar o Cristianismo entre os índios. Porque ele conhecia vários dialetos indígenas, foi intérprete em muitas ocasiões, ofereceu seus barcos e ajuda financeira para os missionários, que assim puderam ampliar o seu trabalho até o Paraná, construindo igrejas e escolas, avançando pelo sertão, aumentando as povoações."


Pero Correa, por Benedicto Calixto. 
Foto site www.dhi.uem.br:


Curiosidade

Esta obra localiza-se na Igreja de Santa Cecília, em São Paulo, e retrata, segundo a visão de Benedicto Calixto (leia sobre ele no post de mesmo nome, publicado em julho 2016). é o momento da conversão de Pero Correa: ele, de frente e Leonardo Nunes com o braço levantado. 








Foi dai que entendi porque o Leonardo Nunes viajava nas embarcações do Pero e veio, depois, a falecer em uma delas.

De nada adiantou sua conversão. Ele foi morto pelos índios Guayanases, em Iguape, crivado por flechas. Eles não esqueceram o perseguição e captura de seus irmãos.

A história é assim: recortada, interessante, enigmática e cheia de surpresas!!!

Abraço a todos. Paz e luz.


Sofia Golfetto Silva
Consultora em organização




domingo, 9 de outubro de 2016

A HISTÓRIA DE PERUÍBE - Parte II (de 1553 a 1959)

Bem vindos, amigos e visitantes!

Vamos continuar a conhecer a História de Peruíbe e do Brasil mais um pouco?!

Bem, no post anterior, estávamos a um dia das eleições. Como foram de votação? Se seu candidato ganhou, olho nele. Se não, olho nele também, afinal, zelar pela nossa cidade é zelar pela nossa qualidade de vida. Vamos deixar de ser passivos e passar a fazer parte da administração das nossas cidades!!!

As "cenas dos próximos capítulos" pararam na chegada do Pde. José de Anchieta, em 1.553. Ele foi trazido pelo Pde. Leonardo Nunes que, infelizmente em 1.554, faleceu num naufrágio.

Peruíbe desenvolveu-se até 1.563, quando um levante dos índios ameaça liquidar toda a obra dos catequistas no litoral paulista, obrigando Anchieta a transferir seu reduto para perto de Itanhaém e abandonar de vez a região em 1.565. Nessa fase, a Aldeia de São João Baptista vai decaindo e, no início do Séc. XVII (1.600), volta a se desenvolver como uma colônia de pescadores.


Catequização dos índios. Foto "Mundo Educação":



Durante um período, a Aldeia de São João Baptista passou para a denominação de Vila da Conceição de Nossa Senhora. É que, naquela época, existiam denominações de Vila, Aldeia, Bairro, Freguesia. Pelas pesquisas de documentos deixados por José de Anchieta, Frei Gaspar, Benedicto Calixto, pesquisadores entendem que as Ruínas do Abarebebê/Colégio São João Baptista, foi o início da fundação da Vila da Conceição de Nossa Senhora, atual Peruíbe. Porém, por volta de 1.640, a denominação de Vila foi perdida e voltou para Aldeia de São João Baptista.

Esse status de "Vila" foi perdido para Itanhaém (que ainda não tinha esse nome) pelo fato dessa Aldeia ser mais próxima da Vila de Piratininga (São Paulo), que crescia a cada dia. Assim, os Portugueses que lá moravam, fizeram por onde elevar a Aldeia para Vila, o que fez de Itanhaém um local com mais movimento e desenvolvimento. Inclusive, os próprios índios catequizados levaram o acervo da Igreja do Abarebebê para o Convento de Itanhaém (que é um ponto turístico de lá e...haja fôlego para subir o morro!!!), com medo de saqueadores, que começaram a invadir a região da Aldeia de São João Baptista.


Convento de Itanhaém: foto Google


Tudo piorou quando, em 1.748, os padres Jesuítas foram expulsos do Brasil, pois sua atuação estava interferindo nas ações da Coroa de Portugal e em seus interesses. Sem a proteção dos Jesuítas e rebaixada à Aldeia, a atual Peruíbe consolidou-se como uma região de pescadores e entrou em declínio e abandono. Em 1.871 recebeu sua primeira "Cadeira Educacional".  Em 1.914, chegou a Estrada de Ferro Santos-Juquiá (Cidade do Vale do Ribeira) e novos imigrantes. Também teve expansão a bananicultura, presença forte até hoje. Ficou ligada à Itanhaém até 1.959.

Mapa da estrada de ferro Santos-Juquiá: 


Curiosidade:

A estrada de ferro foi construída pelos ingleses da Southern São Paulo Railway, entre 1.913 e 1.915. Em 1.927 o Governo do Estado comprou a linha e a entregou para a Estatal Sorocabana.

Abaixo, a esquerda, propaganda integral de lotes a venda em Peruíbe. A direita, ampliado, o anúncio. Jornal Folha da Manhã, 07/07/1.946.

Fonte: www.estacoesferroviarais.com.br:










Nos anos de 1.950 tivemos a construção das rodovias que chegaram ao Litoral Sul. Com isso, a atividade comercial começou a crescer, especialmente a imobiliária. Nessa época, a Câmara Municipal de Itanhaém contava com representantes do Distrito de Peruíbe, entre eles, o vereador Geraldo Russomano (sim, avô de Celso Russomano) e João Bechir, que conseguiram efetivar a realização de um plebiscito, para definir a emancipação política de Peruíbe. Isso foi em 24 de dezembro de 1.958 e, em 18 de fevereiro de 1.959, o distrito passou a ser um município desmembrado de Itanhaém.

Ufá! Esse post deu trabalho!!! Essa é uma parte da história bem difícil de pesquisar, de forma específica para a região. Foi confuso entender o que aconteceu; espero que eu tenha entendido direito, para não passar informação errada. O que ficou muito claro é que mesmo sendo essa Capitania a principal, mais centralizada e tendo como donatário o Martin Afonso de Sousa, o desenvolvimento foi feito a duras penas e aqueles que aqui habitavam sofreram muito. Os índios, então, nem se fala. Tanto é que colocaram os Jesuítas prá correr, depois de 11 anos, quando perceberam que a atuação deles estava fazendo mais mal do que bem: a catequização estava facilitando a captura deles, para serem vendidos como escravos. Não era a intenção dos jesuítas mas... foi o que aconteceu.

Gostaram?! Até o próximo post, boa semana todos!!!

Paz e luz.


Sofia Golfetto Silva
Consultora em organização

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A HISTÓRIA DE PERUÍBE: PARTE I - Estamos na História do Brasil (de 1494 a 1553)

Olá, amigos, visitantes e apaixonados por Peruíbe!

Há uns dias atrás, comecei a pesquisar sobre a história de Peruíbe. Estava muito "passada" pois tudo que encontrava era aquela coisa de um copia do outro, que vem do outro e do outro. Então, li pelo menos uns cinco sites diferentes, mas até os parágrafos eram quase iguais. 

Não me conformei. E foi muito bom! Encontrei um site (www.jornaldeperuibe.com.br), que, além de não copiar nada, ainda trouxe a história desde o final do Séc. XV (idos de 1490 e pouco). E encontrei também fotos e pinturas muuuuito antigas. Então, vamos lá, pois para quem não sabe (e eu não sabia...rs), Peruíbe faz parte do início da História do Brasil.

Para não ficar cansativo, vou dividir em dois posts, talvez três...Quem tiver interesse em conhecer mais a fundo, é só entrar no site indicado acima e também pode ir no www.soulperuibe.com.br, que tem a parte mais conhecida, de 1549 para cá. Consultei também o www.wikipedia.com.br e as imagens foram obtidas no Google.

Lembram das aulas de História?! Então, as monarquias da Espanha (Rei Dom Fernando) e Portugal (Rei Dom Alfonso V) estavam meio brigadas, em função da descoberta das Terras das Américas: ambas as coroas investiram em embarcações e expedições que deram nessas bandas de cá. Dai, em 1494, fizeram o Tratado de Tordesilhas, uma linha imaginária que cortava a América do Sul em duas partes, paralelamente ao Oceano Atlântico (linha meridional, mas ai...já é geografia...rsrsrs). Nessa primeira demarcação, vejam só, o limite era exatamente aqui em Peruíbe que, naquela época chamava-se Tapirema. Isso foi em 1494 e era conhecido como Marco Divisório entre as duas colônias: à direita, Portugal; à esquerda, Espanha.

                      Linha do Tratado de Tordesilhas, 1.502:

Ao lado, um mapa mundi, que mostrava a Linha do Marco Possessório. Esses mapas eram feitos à mão, com os conhecimentos dos navegadores e matemáticos / astrônomos / astrólogos. Lembrando que uma única pessoa podia ser tudo isso ao mesmo tempo já que não existiam essas diferenciações entre as profissões. É só lembrar de Da Vinci e Michelângelo, por exemplo.








Mapa de navegação, já mais encorpado:


Assim, nos mapas dos navegadores daqueles tempos, o nome de Tapirema já estava escrito. E, depois que o Almirante Pedro Álvares Cabral chegou no Brasil (1.500), foi erguido aqui a primeira construção rústica de defesa, contra o avanço dos Espanhóis, em 1.505 (início do Séc. XVI). E, ao mesmo tempo, iniciou-se a formação de São Vicente.

Com o passar dos anos essa linha imaginária foi indo cada vez mais para o oeste, com a conquista de novas terras pelos Portugueses. Em sangrentas lutas, que infelizmente não nos contam direito na escola, o Brasil tem seus limites como o conhecemos hoje.

De 1.492 até 1.532, piratas, índios e alguns aventureiros desfrutavam das belas paisagens dessas bandas e exploravam ouro e pedras preciosas, onde hoje é o Vale do Ribeira. Mas ai chegaram aqui dois sujeitos sedentos por dinheiro: Pero Correa e Fernão Moraes, vindos de Algarve, Portugal. 

             Martim Afonso de Sousa:


Eles integravam a comitiva de Martim Afonso de Sousa, que era o Capitão-mor da Armada que veio ao Brasil nesse ano, a mando de D. João III. Foi Martim quem teve a incumbência de criar as Capitanias Hereditárias cedidas aos donatários. Aliás, ele as delimitava e escolhia os beneficiados. E, claro, escolheu a dele e do irmão Pero Lopes de Sousa. Foi Martim, também, quem fundou a primeira Vila do Brasil: a Vila de São Vicente, em 22 de janeiro de 1.532.








Voltando a Pero Correa e Fernão Moraes, esses caras vieram atrás de grana, ou seja, ouro, pedras e tráfico de índios como escravos. Navios aportavam nas prais de Peruíbe, inclusive no Guaraú, para levar tudo para a Europa. E nem precisa dizer que eles arrumaram tanta confusão por aqui (e ficaram ricos), que quase foram mortos algumas vezes pelos índios.

Nessa época, o forte levantado aqui no início do Séc. XVI estava abandonado pois sua milícia tinha sido transferida para Cananéia (ampliando a guarda das novas conquistas do Marco Possessório). E, no meio dessa confusão toda, os índios ficaram agressivos e perigosos. Também, imaginem: eles estavam tranquilos, eu acredito. Deviam ter suas rixas entre tribos distintas (Carijós, Tapanhumas, Tamoyos, Tupis-Guaranis, Guayanases), mas nenhum invasor. Ai, chega um povo branquelo, cheio de roupas, com armas que atiram e saem tomando tudo pela frente, quem não iria ficar muito "possesso" da vida?!

Passaram-se alguns anos nessa confusão quando, em 1.549, chegaram os Padres Jesuítas. Foi ai que começou a vida colonial em Tapirema. Vieram também algumas famílias portuguesas e famílias de refugiados italianos de Veneza.


                                                                                           Padre Leonardo Nunes:

Foi o Padre Leonardo Nunes quem começou, junto com essas pessoas e outros que aqui estavam, a "reformar" o antigo Forte e a transformá-lo em uma pequena escola e uma capela, dando o nome de Colégio São João Batista. Em 1.553, missionários já habitavam esse complexo. Padre Leonardo Nunes foi uma figura de grande importância aqui em Peruíbe. Ele era um homem pacificador, dotado de grande inteligência, era bondoso, valente e conquistou os índios com seu jeito especial. Foi apelidado pelos índios de "Abarebebê", que significa "irmão do vento" e ficou conhecido como "padre voador". Isso porque ele ia e vinha de um lado para outro lado, sem se importar com chuva, vento, sol. Os índios diziam que ele estava em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele faleceu em 1.554, num naufrágio de uma embarcação do Pero Correa. Foi uma dura perda. Padre Leonardo Nunes é lembrado até hoje como um grande humanista. Ah... ele veio de Portugal para o Brasil na missão do Padre Manoel da Nóbrega.





As "Ruínas do Abarebebê" são hoje um ponto turístico da cidade: de defesa de Marco Possessório à Colégio e Igreja, é um dos marcos do início da História do Brasil. Aliás, eu moro bem perto dessas ruínas! Emocionante!!!


Vista aérea das Ruínas do Abarebebê:

Ruínas, mais de pertinho:

            Ruínas, mais de pertinho ainda...rs:


Um parênteses:
É triste dizer mas as últimas administrações de Peruíbe abandonaram por completo o cuidado com os pontos turísticos da cidade e isso inclui as Ruínas do Padre Leonardo Nunes.
Temos a esperança que, seja qual for a nova administração, um novo olhar para o turismo da cidade prevalecerá.
Isso é um pedido, não só meu, como de todo cidadão que aqui vive.




                                                                                             Padre José de Anchieta:
Advinha qual foi o missionário que chegou aqui, em 1.553?! O Padre José de Anchieta, claro, trazido pelo Abarebebê. E a continuação dessa história fica para o próximo post!!!

Bem, eu aprendi e relembrei um monte de coisas da nossa história. Tomara que você também. A História é parte de nossas vidas. Conhecê-la nos faz mais fortes, conscientes e cultos. E domingo é dia de Eleição. Vamos votar com a razão. Descemos a boca nos políticos mas...somos nós quem os colocamos lá. E, se forem eleitos candidatos nos quais não votamos, nossa obrigação é acompanhar e cobrar aquilo que realmente importa para nossas cidades, pois é ai que a vida cotidiana começa.

Abraço a todos, paz e luz. Namastê.


Sofia Golfetto Silva
Consultora em Organização